Matriz · Planejamento curricular
Uma lista de temas não é um currículo.
O cruzamento entre conteúdo, competência, cenário e evidência de aprendizagem revela o que uma lista de assuntos não mostra.
Cobrir um tema é o começo. A pergunta seguinte é qual decisão o estudante aprende a tomar, em que contexto e como isso será observado.
- A matriz comum reúne 7 atributos do perfil, 7 áreas, 15 competências, 6 redes e 21 conteúdos; a prova teórica seleciona 12 competências.
- Essas listas não definem pesos iguais nem uma distribuição fixa de questões por área.
- A ausência de uma competência na classificação principal de uma prova não a retira do currículo.
Quatro dimensões que precisam se encontrar
A Portaria nº 478 organiza a referência em perfil, áreas, competências, redes e conteúdos. O manual mostra como quatro dessas dimensões se cruzam no item, orientadas pelo perfil do egresso. O comando deve focalizar uma competência principal: interpretar um exame, formular uma hipótese ou escolher uma conduta são decisões distintas, mesmo quando o assunto é o mesmo.
O art. 7º prioriza cenários de atenção primária e secundária. Para o planejamento, isso convida a observar onde o estudante aprende a decidir: o mesmo conteúdo pode demandar recursos, comunicação e encaminhamento diferentes conforme o cenário apresentado. A quantidade de categorias da matriz não determina a proporção de itens de cada uma na prova.
O perfil orienta. O item mobiliza.
- Áreas
- 7
- Competências
- 15
- Redes e cenários
- 6
- Blocos de conteúdos
- 21
Em qual campo de formação?
Qual decisão ou capacidade?
Em que contexto de cuidado?
Com quais conhecimentos?
O que acrescentar ao mapa curricular
Um mapa útil pode ligar objetivo de aprendizagem, experiência oferecida, momento da formação e instrumento de avaliação. O registro “conteúdo ministrado” informa que houve exposição. Ao acrescentar “o estudante consegue fazer o quê?”, a coordenação passa a procurar uma evidência de aprendizagem.
No acompanhamento de uma doença crônica, a equipe pode definir a decisão a ser trabalhada, situá-la no território e escolher como observar o raciocínio. Se também pretende avaliar comunicação, deve acrescentar uma interação observada, com critérios próprios. O mapa passa a informar o que ensinar, onde praticar e qual evidência recolher.
O que a DCN acrescenta à leitura
A DCN organiza a formação em Atenção à Saúde, Gestão em Saúde e Educação em Saúde e contempla conhecimentos, habilidades e atitudes. A matriz ajuda a estudar a referência do exame; a DCN amplia a discussão para o perfil do egresso e para as experiências que sustentam sua formação.
O manual explicita alinhamento com as DCNs de 2014 e de 2025, considerando a implantação. Essa orientação ajuda a ler os documentos em conjunto e preserva sua cronologia: a matriz de julho de 2025 antecede a resolução curricular de setembro. As conexões item a item são interpretações SPR e precisam considerar o PPC vivido por cada turma.
Poucos itens não significam pouca importância
É preciso distinguir duas ausências: uma competência selecionada para a prova teórica pode não aparecer como principal naquele caderno; outra pode não integrar a seleção das 12 competências do instrumento. Procedimentos, comunicação e trabalho em equipe continuam na matriz comum, nos conteúdos pertinentes e na formação, com outras oportunidades de observação. Sua ausência como objetivo principal teórico não orienta a retirada do currículo.
A leitura que propomos combina o perfil da prova com a responsabilidade formativa da instituição. Concentrar toda a preparação nos assuntos mais frequentes pode deixar invisíveis habilidades necessárias ao cuidado. O histórico orienta prioridades de investigação, mas não funciona como autorização para estreitar o currículo.
Três decisões que esta leitura pode orientar
Mapeie a decisão
Associe cada tema a uma competência e a um cenário, além da disciplina responsável.
Cheque a oportunidade de prática
Localize em que momento o aluno exerce essa competência e recebe devolutiva.
Procure lacunas e repetições
Diferencie conteúdo recorrente de oportunidade progressiva de aprendizagem.
Como a SPR Med pode apoiar esse trabalho
O blueprint SPR oferece uma linguagem comum para discutir a prova com docentes de diferentes áreas. Essa organização pode apoiar a seleção de casos e avaliações dirigidas, articulada ao currículo e ao diagnóstico da turma.
Conhecer o portal gratuito para instituiçõesFontes e rastreabilidade
Os documentos sustentam os fatos indicados. As propostas de ação e as interpretações estão identificadas como leitura SPR Med.
- ENAMED: da matriz de referência ao resultado do participante
Manual para participantes e instituições. Divulgação no portal do Inep em 10/09/2026; 17 páginas.
Matriz e anatomia do item: pp. 5–9. Angoff, Rasch, EAP e equalização: pp. 10–13. Populações e conceito: pp. 3 e 15–16. Não fornece os coeficientes de transformação da nota de 2026. - Diretrizes Curriculares Nacionais de Medicina
Resolução CNE/CES nº 3, de 30 de setembro de 2025. Publicada em 1º de outubro de 2025.
Arts. 6º, 8º, 18–24 e 36–40. - Matriz de referência do ENAMED
Portaria Inep nº 478, de 18 de julho de 2025. Publicada em 21 de julho de 2025.
Arts. 3º, 6º, 7º e 8º.